quinta-feira, 29 de maio de 2025

A diversidade da poderosa cerveja Stout

De cor escura, seca, amarga, cremosa, encorpado e com aspecto forte, a Cerveja Stout é um estilo muito popular em países mais frios, especialmente na Irlanda e na Inglaterra, mas não são tão famosas no Brasil, provavelmente, devido ao clima tropical, que não combina tanto com uma cerveja tão intensa.

Devido à potência e robustez, as Stout, cujo nome pode ser traduzido para “forte”, ao amargor do lúpulo e do malte tostado, ao teor alcoólico elevado e ao presente sabor de café e cacau, são vistas como cervejas que aquecem, ou seja, excelentes escolhas para o inverno.

Com o tempo começou a surgirem subdivisões desse estilo, que apresentam densidades, amargor, teor alcoólico e coloração diferentes. Seja através da robustez de uma Imperial Stout ou da suavidade equilibrada de uma Oatmeal Stout, passando pela secura da Dry Stout, o estilo continua a ser uma escolha popular entre os entusiastas da cerveja, proporcionando uma experiência profunda e envolvente que vai além do copo.

Conheça alguns dos principais tipos de Stout:

Com suas diversas variações, esse estilo oferece uma apresentação rica no mundo cervejeiro. Desde suas origens até a inovação contínua dos cervejeiros modernos, as Stouts celebram a complexidade e a diversidade. Conheça algumas das principais variações:

Dry Stout

Exemplo perfeito da força sutil, as Dry Stouts equilibram amargor e corpo de forma magistral, mais cremosa e apresentando um final seco. Considerada por muitos a receita original do estilo

Exemplo comercial: Brotas Beer Dry Stout [4,5% / 38 IBUs - Brotas, SP]

Oatmeal Stout

A suavidade e cremosidade únicas desta variação demonstram como a textura pode alterar profundamente a percepção de uma cerveja. Isso se dá pela inclusão de aveia nas receitas da Oatmeal Stout

Exemplo comercial: Cevada Pura [5,9% / 30 IBUs - Piracicaba, SP]


Foreign Extra Stout

Uma Stout encorpada, moderadamente forte, bastante seca com destacados sabores tostados. Muito escura, de aroma marcante e espuma bronzeada. Sabor de lúpulo moderado e sensação macia na boca

Exemplo comercial: Dama Bier Stout [6% / 45 IBUs - Piracicaba, SP]

Russian Imperial Stout

As Russian Imperial Stout são as versões mais intensas de Stout. Amargor intenso equilibrado com dulçor, alto corpo e alto teor alcoólico. Perfil licoroso

Exemplo comercial: Sexto Sentido Conilon Stout [8% / 48 IBUs Piracicaba, SP – Brasil]

Imperial Stout

As Imperial Stouts são a epitome do poder em termos de teor alcoólico e intensidade de sabor. São cervejas que desafiam os limites, com uma riqueza que pode incluir notas de chocolate amargo, café e frutas secas

Exemplo comercial: Schornstein Imperial Stout [8% / 70 IBUs - Pomerode, SC]

Sim! Também existe Stout sem álcool

A Coffee Dry Stout da “Sim! Cerveja”, cervejaria de Campinas, especializada em cervejas sem álcool, produz um estilo com café e não alcóolica. Portanto, se aí está mais um motivo para conhecer essa cerveja inspirada na clássica Dry Stout, de cor escura e sabor seco, com notas distintas de café e chocolate.

Saúde🍻!!!


quinta-feira, 22 de maio de 2025

Cervejaria Sexto Sentido une duas paixões em um mesmo gole

Russian Imperial Stout utiliza café conilon

Em 24 de maio, o Brasil celebra o Dia Nacional do Café — data instituída pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) para marcar o início da colheita nas principais regiões cafeeiras do país.

Por ocasião da data e para dar sentido às combinações que agradam ao paladar, a 6º Sentido Cervejaria, que produz receitas com café, convida cafeteiros e cervejeiros a experimentarem essas duas paixões nacionais em um mesmo gole.

“Cervejas com café criam uma experiência sensorial que celebra duas paixões profundas do brasileiro: o café e a cerveja. Esta ousada criação captura a essência da cultura nacional, sendo o café uma tradição arraigada e a cerveja uma parte essencial das celebrações e encontros sociais do país”, afirma Robson Mauri, engenheiro agrônomo e especialista na produção de cafés especiais.

Coffee IPA é uma Imperial (Double)

A 6º Sentido Cervejaria possui três rótulos exclusivos que utilizam cafés especiais em suas receitas: Above Lager, uma cerveja Amber que recebe uma generosa adição de catucaí; a Russian Imperial Stout, que se utiliza do conilon, e a Coffee IPA que é a Imperial (Double) da marca.

Seja apaixonado por café ou amante da cerveja, a união das duas em uma única bebida é uma experiência que não pode ser perdida. A cerveja de café é uma celebração dupla em um único copo, uma combinação incrível de sabores que materializa a verdadeira representação do espírito brasileiro.

“A cerveja com café não é apenas uma bebida; é uma celebração a criatividade brasileira. É uma oportunidade de unir duas paixões em um só gole, de experimentar o melhor dos dois mundos em uma única garrafa. É um brinde à rica herança do café brasileiro e à versatilidade da cerveja”, completou Robson.

Conheça os três rótulos:

Above Lager

Lager - Amber / Red

Cerveja com café, de cor âmbar, espuma branca e persistente. No aroma e sabor uma sensação única, nobre e elegante, traz uma explosão de café, um perfil limpo e amendoado. O amargor é baixo e suave, corpo leve e boa carbonatação. O final é seco e prolongado, despertando uma sensação única e impactante. Desperte o seu sexto sentido.


Coffee Ipa

IPA - Imperial / Double

Cerveja potente, de Cerveja potente, de aparência brilhante, espuma cremosa e persistente. No aroma e sabor, uma explosão de notas de café, um perfil nobre e elegante. Em segundo plano a lembrança de frutas amarelas, deixando um amargor alto, limpo e equilibrado. Corpo médio e final seco. Cerveja robusta, aromática, cheia de personalidade e intensa em sabores únicos.


Conilon Stout

Stout - Russian Imperial

Cerveja de origem britânica, Cerveja de origem britânica, com adição de café conilon. Apresenta cor preto intenso, espuma bege e persistente. As notas de café nobre e elegante, junto com toques de chocolate e toffee, prometem uma experiência de sabor rica e complexa. O corpo médio alto e o amargor baixo tornam-na acessível. É uma cerveja intensa e cremosa que combina o melhor dos mundos do café e da cerveja, perfeita para quem busca algo marcante e saboroso.

Cerveja para aquecer a alma

 Oatmeal Stout da Cevada Pura é uma escolha incrível para apreciar uma cerveja saborosa e complexa

O frio está aí e as baixas temperaturas pedem um bom vinho, certo? Errado. É nessa época do ano que é possível descobrir novos sabores e rótulos, investindo em cervejas para o inverno.

A diferença é na escolha dos estilos. Para os dias frios, as cervejas recomendadas são as de teor alcoólico mais elevado – que promovem a sensação de aquecimento e sabores mais intensos e complexos.

Assim, é hora de deixar de lado a cervejinha refrescante e partir para estilos mais robustos. Red Ale, English Bitter, Porter, Stout e a potente Barley Wine são algumas opções intensas e alcoólicas para quem pretende agasalhar a alma.

terça-feira, 13 de maio de 2025

Expandindo a cultura cervejeira, Piracicaba ganha nova cervejaria

Unindo cerveja e café, 6º Sentido produz rótulos exclusivos e inéditos

A cidade de Piracicaba acaba de ganhar uma nova atração para os apreciadores de cerveja artesanal com a chegada da 6º Sentido Cervejaria que já está operando e produzindo no espaço físico da Panela Cervejeira e distribuindo para toda região e outros estados.

Criada pela paixão de Robson Mauri, engenheiro agrônomo e especialista na produção de cafés especiais, o grande diferencial das cervejas da 6º Sentido são as receitas com café. Ao todo são três rótulos exclusivos que utilizam cafés especiais, dos 13 estilos existentes no receituário da cervejariaAbove Lager é uma Amber que recebe uma generosa adição de Catucaí; a Russian Imperial Stout se utiliza do conilon e a Coffee IPA que é a Imperial (Double) da marca.

Robson Mauri é o proprietário da marca que escolheu Piracicaba para fazer morada

“Realmente, o café sempre foi o negócio da família, mas a descoberta das cervejas artesanais me fez pensar em unir essas duas paixões genuinamente brasileiras em um único gole”, afirmou Robson, que também doutor em engenharia de biossistemas e se tornou sommelier de cervejas.

Mas nem só de café tem sido feitas as receitas da 6º Sentido, há outras opções até mais exóticas como a Porter com adição de pimenta; a Wheat Beer com capim limão; uma sour elaborada com frutas vermelhas; e a Saison, que utiliza mel da florada do café.

6º Sentido possui 3 receitas de cerveja com café

“Apesar de termos estilos mais convencionais, primamos pelo ineditismo de nossas receitas para criar experiências únicas, explorando sabores e ingredientes vindos das fazendas de sua família”, Robson já quase revelando seus segredos após algumas taças degustadas.

Sempre atuando no mercado de cervejas artesanais no modelo cigano, em que a produção é realizada em fábricas terceirizadas, a marca agora finca raízes em Piracicaba, na Panela Cervejeira.

Marca aposta muito na harmonização de suas cervejas para criar novas experiências

“Continuamos com o mesmo propósito e modelo de negócio, mas como decidi morar em Piracicaba, com a família, nós estabelecemos a produção aqui para ficar ainda mais próximos de nossas criações”, completou.

Com um modelo diferenciado de entrega e distribuição, a 6ºSentido possui 12 máquinas de auto-atendimento. Além disso, a cerveja pode ser encontrada em Piracicaba, no Palatino Restaurante e Pizzaria, Parmegiana’s Restaurante, Estação Tupi Pizzaria e Rusalen Barber. Já em São Pedro, no Boulevard Gastronômico, no alto da serra, e na Sarita Pizza Napoletana. Nas cidades de Amparo/SP e Lavras/MG a 6º Sentido também possui pontos de vendas. Os pedidos de barris e chopeiras podem ser feitos pelo whatsapp.

Outra aspiração da marca é a intensa busca por experiências na harmonização de suas cervejas durante as degustações. “Nossas receitas são pensadas não apenas para proporcionar a satisfação de se degustar uma simples cerveja, mas também queremos, juntos aos consumidores, explorar novos sentidos, contrastando os sabores e criando experiências sensoriais diferentes dos alimentos com os variados estilos que produzimos”, finalizou Robson ao justificar o surgimento do nome 6º Sentido.

Já imaginou harmonizar burrata com uma cerveja de trigo e que tem adição de capim-limão na receita?



sexta-feira, 9 de maio de 2025

Com muito Rock’n’Roll, Hop Flyers comemora 9 anos neste sábado

Para marcar a data, cervejaria piracicabana lançou uma Coffee Lager

A cerveja Hop Flyers, marca piracicabana, está comemorando nove anos de sucesso e inovação. Para celebrar essa ocasião especial, a cervejaria estará realizando um evento repleto de música ao vivo e parcerias locais incríveis.

O evento acontecerá neste sábado, 10 de maio, na loja e pub da Cevada Pura, a partir das 14h. Os fãs de cerveja artesanal podem esperar uma tarde cheia de diversão, boa música e, é claro, muito chope de qualidade.

As atrações musicais incluem performances das bandas Via Pública, mandando aquele pop rock e rock clássico de primeira, e a Peppers Rule, detonando no melhor cover de Red Hot Chili Peppers.

A celebração também vai contar com o lançamento da cerveja com café, uma Coffee Lager chamada Break Fast.

Xandão da Cevada e suas criações
Ingressos

Os ingressos já estão à venda pelo link(fastix.com.br/events/hop-flyers-9-anos) que também está disponível na bio do Instagram oficial da marca Hop Flyers

Serviço

9 anos da Hop Flyers Brewing na cervejaria Cevada Pura

Dia 10 de maio, a partir das 14h (sábado)

Av. Dr. João Teodoro, 35 - Vila Rezende

Mais informações pelos (19) 3403-2929 e 97418-0141

@hopflyersbrewing @cevadapura



 

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Sim! Cerveja é premiada no World Beer Cup com medalha de ouro

Cerveja premiada é uma Sour com melancia e sal

A campineira Sim! Cerveja Sem Álcool foi eleita a melhor cerveja do mundo no World Beer Cup. A bebida, feita com melancia e sal, ganhou a medalha de ouro na maior e mais prestigiada competição mundial. A cerimônia de premiação aconteceu no Centro de Convenções de Indiana, em Indianápolis, nos Estados Unidos.

“Não tinha a menor esperança de ganhar, e foi uma surpresa muito grande, mas estou muito orgulhoso, pois ganhamos o prêmio máximo que uma cervejaria pode conquistar”, afirmou David Figueira, co-fundador da Sim!Cerveja Sem Álcool.

David Figueira é o co-fundador da Sim! Cerveja Sem Álcool

Dentro do estilo Sour, a cerveja denominada Melancia Sour n’ Salt, conquistou o mundo na categoria cerveja sem álcool.

“Somos a primeira cervejaria do Brasil 100% dedicada às cervejas sem álcool e já ganhamos outras 10 medalhas em outros concursos nacionais e internacionais. Porém, esse foi especial”, afirmou David ao lembrar que, apesar de ter sido lançada em junho de 2024, a Sim! já é cerveja mais premiada na América Latina no seguimento sem álcool.

Sim! Cerveja possui outros estilos além da premiada Melancia Sour n’ Salt

Realizado pela Brewers Association (BA), a maior associação comercial sem fins lucrativos dedicada a cervejarias independentes dos Estados Unidos, os vencedores da World Beer Cup® 2025 foram anunciados ontem, dia 1ª de maio.

O julgamento, que ocorreu ao longo de 14 sessões, que duraram sete dias, contou com 265 jurados, de 37 países, e avaliou metodicamente 8.375 inscrições, de 1.761 cervejarias de 49 países.

Linha da Sim! Cerveja possui outras cervejas dos estilo Sour

terça-feira, 1 de abril de 2025

Vida e obra de Elias dos Bonecos

A capa do livro, de autoria de Nordahl Neptune e desenho em nanquim de Fábio Rontani

Elias Rocha nasceu em 3 de agosto de 1931, se tivesse nascido no dia 1º de abril seria uma ironia da vida. Entretanto, foi logo morrer na data de hoje, pura ironia do destino. Assim foi a sina de Elias Rocha, que nos deixou em 2008, bem no Dia da Mentira, data que simboliza sua maneira de subverter a morte, coisa que fez vivo com a arte ao revolucionar os princípios estabelecidos pelas grandes escolas artísticas, as quais sentenciam e impõem padrões estéticos. Elias dos Bonecos foi o maior, mas não porque era melhor, mas porque era legítimo e original.

E para homenageá-lo Nordahl Christian Neptune lançou, ano passado, na Casa do Povoador, um livro para mostrar toda a admiração e o respeito que o artista merece. A capa é outra obra prima do artista  e ilustrador Fábio Rontani, que fez o projeto gráfico e diagramou o livro que ainda é recheado de fotos de alguns craques como Fabrice Desmonts, Claudinho Coradini, Justino Lucente e Bolly Vieira, entre outros. O prefácio é de Esio Pezzato.

Elias nasceu na Chácara Morato, nas proximidades das barrancas do Rio Piracicaba, sempre presente e inspirador de sua obra. Formado na Escola Senai, foi trabalhar em empresas metalúrgicas, sem deixar de outro hábito incomum, construir barcos. Foram mais de 3.000 em sua vida. Foi demitido da empresa metalúrgica por participar de uma greve. Depois disso, passou a ser carroceiro e coletor de materiais inservíveis que encontrava pelas ruas da cidade como papelão, latas, garrafas, que vendia em locais apropriados até seus últimos dias.

Mais do que contar as origens do projeto dos bonecos que povoaram a rua do Porto e o imaginário popular, o livro contará as origens do projeto, feitos com latas, restos de madeiras, roupas velhas e enchimentos de palha ou capim seco. A primeira ação ocorreu num dos bares famosos da época, o Bar do Araken Martins e noutro, mais adiante, do Mané, frequentado pela elite cultural e boêmia da cidade naqueles dias.

Elias dos Bonecos foi o maior, mas não porque era melhor, mas porque era legítimo e original

Os bonecos surgiram quando Elias, convidado para fazer um “Judas” na Semana Santa, foi escorraçado por uma vizinha, cujo filho tinha se assustado com a feiura dos mesmos. Mas Elias, paciente e sereno, teve nos amigos dos bares dos amigos, a força necessária para ouvir que aquilo era lindo e poderia transformar a imagem do nosso rio. E sacudir a imaginação da cidade. E passou a produzir com intensidade e a distribuir seus bonecos pela orla do rio,” do lado de lá da Casa do Povoador, nos barrancos do Engenho Central.

Mas ele não contava que seus bonecos, antes “feios” se transformassem em objeto de desejo de muita gente. Em especial dos agricolões, que na calada das noites, retiravam seus pescadores da margem do rio e os levavam escondidos para as repúblicas onde moravam, e os faziam de verdadeiros troféus.

Os bonecos eram reinventados nas datas típicas da cidade, como a Festa do Divino (da qual Elias foi festeiro com sua nora), a páscoa, o natal, as folias de reis, o carnaval, entre outras. E vez ou outra apareciam envergando a camiseta histórica do nosso Quinzão.

A composição da foto é perfeita ao contemplar Elias, seu boneco e o Rio Piracicaba

SOBRE O LIVRO

Neptune nos propõe, na abertura do novo livro, um conceito de Michel de Certeau, no em “A invenção do cotidiano, artes do fazer”, no qual o autor propõe "(...) ao homem ordinário, herói comum, personagem disseminada, caminhante inumerável, que mesmo não sendo ninguém neste teatro humanista, ainda ri... E nisto ele é sábio e louco ao mesmo tempo, lúcido e ridículo, no destino que se impõe a todos e reduz a nada a isenção que cada um almeja... Esse herói anônimo vem de muito longe. É o murmúrio das sociedades. Pouco a pouco ocupa o centro de nossas cenas científicas. Socialização e antropologização da pesquisa privilegiam o anônimo e o cotidiano onde zooms destacam detalhes metonímicos - partes tomadas pelo todo".

O autor do livro, Nordahl Christian Neptune
E nos esclarece que “o propósito desta dissertação de mestrado, que alia, ao mesmo tempo, o estudo de uma expressão excepcional da cultura popular brasileira e os modos comunicacionais de procurar evocá-la na sua polivalência constitutiva, é estudar a trajetória de vida de Elias Rocha, então com 71 anos, mais conhecido como "Elias dos Bonecos", cuja arte singular é confeccionar bonecos, em tamanho natural, feitos a partir de sucata e de roupas doadas por parte da população, e inseri-los nas margens do rio que deu nome e origem à cidade de Piracicaba, SP.

Buscamos também entender a influência do cotidiano no desenvolvimento de sua arte, bem como destacar as várias etapas que envolvem sua produção artística, a função e destino de seus bonecos, as múltiplas visões contemplativas, interpretativas e representativas dessa arte popular, sob o ponto de vista ecológico, lúdico e imaginário, no contexto sociocultural da contemporaneidade.

Sua pesquisa parte de um tema caro a todos nós, “Um Rio, uma Cidade e um Artista”, depois envereda pelas origens e discussão sobre outro tema marcante para todos nós, a música: Rio de Lágrimas; discorre sobre nossa mais famosa e antiga festa, a do divino, apresenta com todas as cores e alegrias, nossa rua do Porto. Há na sequência um poema e uma música composta pelo autor e pelo músico Marinho Castelar.

Depois disso, no capitulo intitulado A Arte de Elias dos Bonecos, discorreu sobre as origens de um projeto que, nasceu como uma brincadeira, falando do seu processo criativo, procedimento, componentes técnicos de fabricação. E prossegue discutindo as ações da filosofia de um homem simples, em suas dimensões ecológica, lúdica e imaginária.

No capítulo sobre a A Arte de Elias dos Bonecos, analisa a gênese dos bonecos, as técnicas através das quais são construídos o processo criativo do artista e o destino plural dado aos bonecos. Reconhecer o trabalho do artista, os motivos que o levam a exercer sua arte e como ela é percebida, pode ser a chave para entender porque, afinal, os bonecos tornaram-se elementos lúdicos importantes de uma cultura, símbolo de luta e resistência para uma sociedade que se organiza em prol da preservação e despoluição do seu maior patrimônio: o rio.

Mais adiante discute que “foi diante dessa conjuntura que Elias dos Bonecos buscou, através da arte, demonstrar toda sua preocupação com o rio e o meio ambiente e, ao mesmo tempo criar com seus bonecos uma atmosfera paisagística mais alegre, convidativa e nostálgica, lembrando o tempo em que os pescadores e suas famílias tiravam o sustento das águas límpidas e cristalinas do rio. Depois discute O Processo Criativo, Procedimentos, e os Componentes e Técnicas de Fabricação -, a partir do trabalho de campo de pesquisa, realizado através do acompanhamento do cotidiano de vida do artista, de registros orais, textuais, bibliográficos e audiovisuais, como a fotografia e o vídeo, foram analisadas, em detalhes, as diversas fases que compõem o saber artístico popular e a etnologia do objeto-boneco.

Quem se dispuser a dar uma passadinha na Casa do Povoador, vai encontrar um resto de memória do velho bonequeiro, numa sala especial que existe por lá para homenageá-lo. Ele faleceu, depois de longa doença, em 1º de abril de 2008, conhecido como o “Dia da Mentira”, mas sua memória continua presente em nossa cidade.